sábado, 31 de outubro de 2009

A São Paulo de Piratininga em 1634



Atendendo ao apelo dos “quatrocentões” a capivara descreve a vida cotidiana de São Paulo há 375 anos atrás, quando a cidade ainda levava a alcunha de “São Paulo dos Campos de Piratininga”.

A bordo de sua maquina do tempo, visita a cidade, elevada sobre uma colina e cercada por fortificações, reflexo do ataque feroz de uma coligação indígena que teve fim no dia 9 de julho de 1562 – quando finalmente repeliu de vez as tribos Carijós, Guaianases, Guarulhos e Tupiniquins.

O vilarejo foi salvo por dois de seus mais genuínos pais-fundadores: O misterioso João Ramalho, cara-pálida tornado índio, primeiro homem branco a habitar o planalto, e o sogro dele, Tibiriçá, o Vigilante da Terra, morubixaba, principal líder Tupiniquim e que se aliara primeiro ao próprio Ramalho (dando-lhe a filha Bartira como mulher), depois aos guerreiros e colonos portugueses desembarcados em 1532 e, a seguir, aos jesuítas, que começaram a chegar em 1552.

Luiz César de Menezes, governador do Rio de Janeiro, mandava dizer a D. Pedro II (1691): – “Os moradores de São Paulo vivem como quase à lei da natureza e não guardam mais ordens que aquela que convém a sua conveniência...” Era voz geral!


Pelo sabido a respeito de algumas bandeiras, e particularmente pelo caso do enforcamento de José Paes, ordenado por Fernão Dias, no Sumidouro, como castigo de grave felonia, já se poderia suspeitar que os sanguinários heróis paulistas não podiam viver assim à lei da natureza.


A publicação das atas e do Registro Geral da Câmara de São Paulo, das Sesmarias, Inventários e Testamentos, cerca de 80 grandes volumes, hoje entregues aos estudiosos graças a Washington Luís, veio esclarecer muitos pontos da vida dos primeiros habitantes da cidade da garoa. Os vossos livros, entre os quais não quero esquecer a notável História da Cidade de São Paulo, os de Élis, o de Alcântara Machado, os de Paulo Prado – bastam como informantes de quem queira fazer juízo acerca do meio social em que se criavam os heróis sangrentos e cúpidos.



Não há mais que citar uns três ou quatro episódios, como o de 1623 quando a Câmara resolveu a deportação dos Homens de “boca ruim” que difamavam os homens honrados. Também o episodio de 10 de janeiro de 1634 no qual a mesma Câmara obrigava os vadios que não tinham oficio a tomarem um amo ou abandonarem a terra. No mesmo ano, Dona Benta Dias foi obrigada a mandar colocar uma porta na sua casa, que ela desejava aberta à “tout venant”... Exixtiu também um certo Custódio de Souza Tavares, curandeiro de larga freguesia, que foi forçado a deixar sua clínica, por não ter carta de examinação.

Estas são provas de policiamento social incompatível com a fama geral dos paulistas. Há, porém, um documento que fala por si só, visto que nele se requinta uma preocupação que já vai desaparecendo nas cidades modernas: a 10 de janeiro de 1634, Sebastião de Paiva levou à Câmara o eco de alguns murmúrios públicos. Diziam que tinha um banco reservado no meio da igreja e seus homens tomavam conta, não deixando que ninguém sentasse. Durante as cerimônias, Suas Mercês os oficiais, “com grande prejuízo e escândalo do povo por se tratarem mal às mulheres” – obrigava-as a se sentar no chão.
Que solução os membros do Governo Municipal daquela vila, povoada por demônios acharam? Não podendo atender a todas as senhoras... Mandaram retirar o banco, privando-se a todos de tal conforto, em gesto de cavalheiro.

Sanguinários, sim; mas honrados e organizadores. E, na guerra uma república de salteadores não seria capaz de construir a obra durável da nossa formação territorial.

Encontro ainda uma confirmação do que penso a respeito da influência moral já citada, na transcrição que fazem das seguintes linhas, em que Pedro Taques, retratando o criminoso, explica o célebre crime de Alberto Pires: “nele não lavrou o buril da discrição de seus pais com a polícia em que criaram seus filhos, civilizando-os com a doutrina das escolas dos pátios dos jesuítas do Colégio de São Paulo.”

O impulso do século XVII foi decisivo.

Vejo, em admirável continuidade histórica, o drama do descobrimento até hoje prosseguido; a sementeira das povoações ganhando sempre, cada vez mais, os recessos distantes; os trilhos e os caminhos cada vez mais emaranhados, enlaçando novas regiões.



Pelo que aí fica, Sr. Quatrocentão, podeis ver que, se não estou sempre de perfeito acordo convosco, sou sempre um vosso humilde editor maravilhado pelo carinho e pela consciência, com que tomais parte no grande e nobre movimento intelectual que é, na República, a história dos brasileiros que conquistaram o Brasil.

5 comentários:

Bruna. disse...

nossa gostei muito das imagens. !! parabens (:

josé disse...

gostaria de saber se pode me ajudar entre no saite {jornaldocamposusp} este é o jornal da usp verifique a reportagem das capivaras 23/09/10
sou funcionário da usp eu faso o que posso mas estou só nesta missão preciso de ajuda

josé disse...

sou o guarda MARIANO da usp que esta procurando ajuda para as capivaras que vive na usp tem 4 delas que esta muito machucadas apesar de estar na usp que tem a faculdade de veterinária e os maiores doutores no assunto não consegui ajuda aqui
porico procurei a reporte MARCELA do jornal do campos da usp e denunciei ajude estes bichinhos eles precisa de ajuda me procure no campos da usp

josé disse...

assunto ajudar as capivaras da usp que esta machucadas



contato com o guarda MARIANO fone
[011]34425615

contato com reporte MARCELA
{ ma.picola@gmail.com }

Luiz Pagano disse...

Oi Sr José - já entrei em contato com a Marcela no e-mail sugerido. Aguardo sua resposta.

Abç